Céu

Ela Era Eu

No topo de um prédio, havia uma menina com o olhar distante, cabelos ondulados, castanhos. Ela me olhava e ficava lá, parada, na minha frente, enquanto o vento balançava seus cabelos e nossos olhares se cruzavam em silêncio. Ela se vira, anda em direção à beirada e se senta virada para mim. Por impulso, meu corpo, devagar, se movimenta, já sabendo seu próximo passo. O olhar assustado já não havia como disfarçar. Nos encontrávamos há cinco passos de distância. Silêncio total. O vento permanece. Apenas nós duas. Seu olhar cansado não dizia nada; de sua boca, nada saía. Três minutos depois, você sorri sem mostrar os dentes; seus olhos cansados também sorriam e você, levemente, se inclinava para trás, onde o chão se encontra há vários incansáveis metros de distância. Logo, assustada, corro para tentar lhe salvar e, por pouco, consigo segurar sua perna. Você não reage; com os olhos fechados, espera que eu a solte e, por insistência minha, a seguro, seguro a ti com minha expressão de desespero, de choro, de “alguém, por favor, me ajuda”. Sem conseguir controlar a respiração e segurando-lhe com a pouca força que em mim havia, olho para trás, procurando alguém, e vejo uma pessoa com uma aura branca que minha boca é incapaz de descrever. Essa pessoa me olha como quem diz para eu soltar, para deixar ir. Suando, quase sem fôlego, braços cansados e o desespero me consumindo, olho para a garota na qual estou segurando e vejo que era eu, criança, com 12 anos.