Poema: As Filhas de Ares
Não nascem para o tear,
Nascem para o arco e o mar.
No peito, um corte de dor,
Pra flecha voar melhor.
Não é perda, é um trato,
É pacto, é puro ato.
No rio que é como flecha,
Temiscira não se queixa.
Filhas de Ares, de luz,
Não querem a paz da cruz.
Conhecem a guerra e o vento,
A caça em todo momento.
Hipólita, a rainha,
Tinha o cinto que caminha.
Dom de Ares, pura guerra,
Que Héracles rouba da terra.
Pentesileia chorou,
Por Heitor que se tombou.
Aquiles a viu cair,
E então começou a amar.
Mulher não é de gaiola,
Não serve só pra esmola.
Geração que não se dobra,
De homem não pede sobra.
Uma vez ao ano vão,
Gerar filhas, não prisão.
Guardam menina em seu lar,
Menino vão devolver.
Chamaram de feiticeiras,
Por usarem armas certeiras.
Mas bárbaro é quem não crê,
Que força é da mulher.
Que a luta também consola,
Que a fêmea não pede esmola.
Onde estão nesse agora?
No teu “não” que já aflora.
Na tua mão que ergue o chão,
No teu passo de trovão.
Sem bênção pra caminhar,
Sem licença pra lutar.
Amazonas não morreram,
Só o cavalo perderam.
Trocam arco por palavra,
Rio imenso por estrada.
Ainda queimam o peito,
Não pra atirar direito,
Mas pra caber mais amor,
Neste mundo que é de dor.