Alexandre Magnos

A Geografia e a Chuva

Toda chuva, quando vem, é inevitável.

Procuramos logo um teto, um abrigo,

ou abrimos um guarda-chuva e esperamos que ela passe.

 

Quando se anuncia, o dia se fecha;

às vezes vem acompanhada de trovões e relâmpagos —

e realmente pode assustar.

 

Correr e nos esconder é sempre o primeiro impulso.

E assim, tantas vezes tentamos nos proteger dela,

sem perceber o sentido poético que carrega:

toda chuva tem um fim —

e o sol sempre volta, com um novo brilho.

 

A vida também é assim.

Podemos tentar nos esconder,

ou apenas nos preparar para as mudanças.

Mas quase nunca estamos prontos.

Não há controle sobre a chuva —

nem sobre onde ela vai tocar a terra.

De certo é que estaremos molhados quando ela passar.

 

Sempre que chovia, minha doce mãe nos arrastava para brincar.

Geralmente corríamos atrás de uma bola toda remendada,

e as caras feias logo se enchiam de um brilho

que só o prazer de estarmos juntos podia explicar.

 

Há momentos em que a vida nos pede apenas isso:

aceitar e apreciar a chuva.

Pois não há glória em chegar ao fim da vida —

mas em viver cada pequeno instante, mesmo que molhados.

 

A vida é uma longa caminhada,

onde há beleza em ser surpreendido.

E aceitar a geografia da estrada é, em si,

uma forma de libertação.

Pois há caminhos que só a chuva revela.

 

Então, quando o tempo começar a fechar, não tema:

é só a vida se fazendo presente —

e lembre-se: o sol sempre voltará a brilhar.