Toda chuva, quando vem, é inevitável.
Procuramos logo um teto, um abrigo,
ou abrimos um guarda-chuva e esperamos que ela passe.
Quando se anuncia, o dia se fecha;
às vezes vem acompanhada de trovões e relâmpagos —
e realmente pode assustar.
Correr e nos esconder é sempre o primeiro impulso.
E assim, tantas vezes tentamos nos proteger dela,
sem perceber o sentido poético que carrega:
toda chuva tem um fim —
e o sol sempre volta, com um novo brilho.
A vida também é assim.
Podemos tentar nos esconder,
ou apenas nos preparar para as mudanças.
Mas quase nunca estamos prontos.
Não há controle sobre a chuva —
nem sobre onde ela vai tocar a terra.
De certo é que estaremos molhados quando ela passar.
Sempre que chovia, minha doce mãe nos arrastava para brincar.
Geralmente corríamos atrás de uma bola toda remendada,
e as caras feias logo se enchiam de um brilho
que só o prazer de estarmos juntos podia explicar.
Há momentos em que a vida nos pede apenas isso:
aceitar e apreciar a chuva.
Pois não há glória em chegar ao fim da vida —
mas em viver cada pequeno instante, mesmo que molhados.
A vida é uma longa caminhada,
onde há beleza em ser surpreendido.
E aceitar a geografia da estrada é, em si,
uma forma de libertação.
Pois há caminhos que só a chuva revela.
Então, quando o tempo começar a fechar, não tema:
é só a vida se fazendo presente —
e lembre-se: o sol sempre voltará a brilhar.