Você falava sobre os teus amores;
Como quem descreve constelações;
E eu sorria enquanto escondia;
O colapso das minhas emoções.
Teus olhos brilhavam ao citar o nome dele;
Como estrelas queimando no céu noturno;
E eu fingia não sentir nada;
Enquanto meu mundo perdia o rumo.
Me tornei especialista em fingir;
Que teu sorriso não me destruía;
Enquanto ajudava você a amar alguém;
Que nunca te olharia como eu olharia.
Eu ouvia cada detalhe atentamente;
Como quem segura vidro sem soltar;
Mesmo sabendo que cada palavra tua;
Encontrava um novo jeito de me cortar.
Você dizia que tinha medo de perdê-lo;
E eu dizia que tudo ficaria bem;
Mas no fundo a única coisa que eu queria;
Era que você tivesse medo de me perder também.
Transformei meu amor em silêncio;
Pra não correr o risco de te afastar;
Porque perder o teu amor doeria menos;
Do que nunca mais poder te escutar.
Mas chega uma hora em que o peito cansa;
De sangrar sem ninguém perceber;
E até as estrelas mais intensas;
Uma noite acabam deixando de arder.
Talvez eu esteja me desapaixonando;
Não porque deixei de te amar;
Mas porque meu coração cansou;
De sobreviver sem poder te tocar.
Agora teu nome já não causa terremotos;
Como antes fazia em mim;
Mas ainda deixa pequenas cicatrizes;
Que o tempo nunca consegue levar ao fim.
E no fim, o amor não morreu de repente;
Apenas sangrou em silêncio até desaparecer;
Como uma canção ficando distante;
Até eu já não conseguir mais escutar você.
Talvez eu nunca tenha parado de te amar;
Apenas aprendi a esconder melhor;
Porque algumas pessoas não vão embora da alma;
Mesmo quando deixam de ser nosso sol.
Continuarei sendo teu amigo…
Mesmo que isso me destrua aos poucos;
Pois te amar em silêncio ainda parece menos doloroso;
Do que imaginar um mundo sem nós dois.