Estou aos pedaços.
E o pior é que ninguém percebe.
Porque eu aprendi a sorrir
enquanto sangro,
a responder “tô bem”
com a garganta queimando por dentro.
Mas a verdade?
Eu tô cansado.
Cansado de tentar ser suficiente
pra pessoas que nunca tiveram medo de me perder.
Eu dei tudo.
Cada parte de mim.
Cada madrugada acordado.
Cada promessa.
Cada “eu vou ficar”.
Cada vez que coloquei alguém acima de mim mesmo
só pra assistir tudo desmoronar no final.
E ainda assim…
não foi suficiente.
Nunca é.
Você sabe o que mais dói?
Não é a traição.
É perceber que eu realmente acreditei.
Acreditei quando disseram que ficariam.
Acreditei quando me chamaram de lar.
Acreditei que amor significava proteção.
Então eu protegi.
Mesmo quebrado,
mesmo cansado,
mesmo me destruindo aos poucos…
eu continuei protegendo.
E no fim,
fui abandonado pelas mesmas mãos
que um dia juraram cuidar de mim.
Agora olha pra mim.
Olha direito.
Isso aqui não é tristeza passageira.
Não é drama.
Não é exagero.
É alguém que perdeu a força
de continuar tentando.
Porque chega uma hora
em que o peito não aguenta mais.
Chega uma hora
em que você percebe
que sobreviver dói mais
do que desistir.
Então sim…
por dentro,
eu já morri faz tempo.
Só sobrou esse corpo cansado
andando por aí
como um fantasma
de alguém que um dia soube amar demais.
E talvez esse tenha sido meu maior erro.
Ter amado
como se alguém fosse realmente ficar.