Não posso mais te amar, eu sei,
Meu corpo ao frio descanso entreguei,
No leito da terra que um dia me deu vida,
Hoje guarda em silêncio minha despedida.
Não sinto mais teu doce perfume no ar,
Nem vejo teus olhos a me iluminar,
Nem o calor das tuas mãos a me envolver,
Nem teu toque suave a me enlouquecer.
Não provo mais teu beijo doce de mel,
Nem vivo contigo nosso amor tão fiel,
Nem faço do teu corpo o meu abrigo,
Perdido agora, distante de ti, perdido.
No peito vazio, uma dor a ecoar,
Amarga saudade por não te amar
Como tu merecias, com toda a intensidade,
Que havia em teu peito, pura verdade.
Só agora, no frio que insiste em ficar,
Percebo o quanto quis te negar,
Teu corpo, teu calor, teu amor sem medida,
Que eu deixei escapar em vida.
Jamais ouvirás, em doce emoção,
As batidas febris do meu coração,
Que mesmo calado, insiste em dizer:
Ainda é por ti que continua a bater.