A existência da alma
Viva aos lírios e as candelárias!
As salivas altivas enevoadas da consciência!
Saboreadas deveriam ser, encantadas deveriam ser
O correr infantil da alma
Bem que falam, aproveita-vos a juventude, a criançada e a inocência
Mas que criança, afinal, entende essa frase ao pé da letra? Pois é... Fica subetendida. Algo vago, que entraste por um ouvido e saíste por outro
Quem dera eu, poder escutar e viver a juventude com tanta dádiva e belezura paz de espírito. Pois sempre tristeza houve em meus plantários pés
Os olhinhos caídos, a chupeta tirada e o rasgar de meus paninhos prediletos
A dor do não ser, caminha comigo de maneira lenta e sombria. E trago além, névoas carregadas e cinzentas que acompanham-me em sonhos noturnos e diurnos
Ora acordo rindo, ora chorando. Mas pela maioria vezes, assustado e assombrado pelos piores fantasmas
Encontro-me preso no enevoar da vida, e mesmo que feliz queria estar... tristonho e acanhado permaneço
E por mais normal que pareça ser, isto falando diante das milhões de almas suplantadas nessa imensa terra
Pois, carrega cada um seu enorme fardo de viver
Não deixo de querer estar em um outro lugar, algo além de minha existência cósmica
Talvez até, em um lugar onde todos em sã consciência mundana, morreriam de medo e estranheza, devido a peculiaridades das formações energéticas
Porém não deixo de escutar o suplicar de minha alma no querer longínquo da existência
No ser além da carne;
No sentir além do corpo;
No falar além dos ouvidos;
E no fim, porém não mais importante;
No viver além das fronteiras.