talvezeloiza

cartas para vocĂȘ.

MADRUGADA

Para a maioria, é o período que permeia das 00:00 às 05:00.

Para mim, é liberdade; o núcleo mais íntimo, sincero e intocável da minha alma.

As madrugadas são onde posso depositar meu âmago pela vida.

Onde escrevo meus sentimentos, onde há ausência de qualquer estímulo que possa me distrair de quem eu sou.

Madrugadas... Talvez eu goste tanto delas porque você mora em todas.

Você... Foi com sua ajuda que conheci o quão bonita minha alma poderia ser. Em você, encontrei a ausência de toda a turbulência que o mundo faz sob o sol das 12:00; na sua voz dizendo aquele apelido besta que você me deu e do qual eu fingia não gostar(eu adorava).

Talvez eu goste tanto das madrugadas porque, em todas elas, passávamos juntos, jogando aquele jogo besta, naquela ligação idiota.

E, às vezes, ainda me pego esperando sua mensagem chegar no silêncio da noite, como se alguma parte de mim se recusasse a aceitar que certas despedidas realmente acontecem.

Há noites em que sua ausência faz meu coração lembrar o quanto a dor é familiar. Outras, ela apenas senta ao meu lado em silêncio, como uma memória cansada que aceitou seu destino final.

As madrugadas são as únicas coisas que me restaram de você. Espero morar nelas para sempre.

Porque, enquanto o mundo dorme, ainda consigo sentir você existindo em algum canto da minha lembrança, do quarto bagunçado, e do meu ser.

Quebrei minha promessa. Esta é mais uma carta sobre você. 

Anexei uma musica para você ouvir após ler, o que é muito pouco para traduzir tudo que sinto. Espero que goste.

Com carinho,
Eloiza.