Ato I: O Prelúdio e o Tampo
Sob a luz difusa, o que vejo não é apenas corpo, mas a curvatura perfeita do abeto e do jacarandá. Teus seios, hemisférios de marfim, erguem-se como as abóbadas de uma catedral sonora, firmes e ressonantes. Minhas mãos, como quem inicia o Capricho Árabe, pairam em suspenso. O toque é primeiro um sopro, um arpejo hesitante que percorre o contorno de tuas costelas, descendo pela cintura sinuosa — essa escultura de dezoito trastes onde a melodia da luxúria começa a ser escrita.
Ato II: A Tensão das Cordas
Aproximo-me do centro de tua vibração. Meus dedos, agora imbuídos de uma precisão cirúrgica, iniciam o movimento sobre a tua pele, que se estica sob o meu domínio como cordas de náilon sob a tensão da afinação perfeita. Não há pressa. Há o rigor técnico de quem busca a nota fundamental. Cada carícia em teus mamilos é um harmônico natural, uma frequência aguda que faz teu dorso arquear, transformando teu ventre no tampo harmônico que amplifica o meu desejo.
Ato III: O Tremolo de Alhambra
O ritmo transmuta-se. Abandono a lentidão do prelúdio e mergulho no tremolo obsessivo de Recuerdos de la Alhambra. Meus dedos tornam-se uma sucessão célere de toques na tua intimidade, uma vibração contínua e elétrica que não permite repouso. Tuas coxas, colunas de um palácio mouro, tremem em uníssono. A umidade que brota de tua \"boca\" — esse orifício de ressonância profunda — é o verniz que lubrifica minha execução. O toque é frenético, porém erudito; uma agitação de falanges que busca o ponto exato onde a música se torna grito.
Ato IV: O Finale e a Cadência Final
Estamos no auge da partitura. A composição exige o vigor das polcas de Tárrega, a agilidade que desafia a anatomia. O movimento é ascendente, uma escala cromática que percorre tua espinha até o clímax. Teu corpo, violão vivo, retesa-se na nota mais alta, naquela que precede o silêncio. E então, o gozo rompe-se como uma corda que se quebra em pleno fortíssimo: uma cascata de espasmos que resolvem toda a tensão acumulada. A última nota vibra, longa e plena, enquanto o instrumento de tua carne repousa, exaurido, sob o peso da minha mão magistral.