O Beijo Amigo Que Te Mata
Tem um amigo de bolso
Que te beija todo dia.
Você põe na boca, chama o fogo,
Diz que alivia.
Promete calma na fumaça,
Mas te cobra em covardia.
Ele não grita, não bate,
Só te abraça pelo pulmão.
Cada trago é um trato
Assinado sem perdão.
Diz “sou teu companheiro”
Enquanto fecha a respiração.
No começo é só um beijo
Pra espantar a solidão.
Depois vira namoro
Que não larga tua mão.
Quando vê já tá casado
Com a própria destruição.
Não tem faca nem veneno
Que mate tão devagar.
Esse amigo te consome
Sem nunca te avisar.
Te dá prazer de segundos
Pra te roubar o ar.
E o pior dessa traição
É que a escolha foi tua.
Abriu a porta pro beijo
Que te queima e continua.
Hoje o amigo tá na boca,
Amanhã tá na urna crua.
Esse beijo não é amor.
É contrato com a cova.
E amigo que te mata
Nem pra velório se aprova.