QUE DROGA É ESSA?
Ontem eu vi um homem.
Perdido olhando para o nada
Parecia embriagado
Sua vida estava em quase nada
E seu corpo nu estava desfigurado.
Ontem eu vi muitos homens
Pareciam autômatos desgovernados
E seus pés tocavam o chão
Como que almas a ermo desoladas
Sem ao menos palpitar- lhe o coração!
Ontem eu vi homens defumando-se em sua narinas
E os cachimbos as chaminés em espirais
Nas mãos as lâminas assassinas
Dilatam-se em contrações nasais.
Eu vi homens escondidos em outros vícios …
Mas doutro jeito eram tal graciosa sua decência
Não punham suas almas em sacrifícios
Nem tampouco desafio à ciência.
Vi homens desafiando togas
Em seus vícios
Calando tribunais
Tomando em taças suas drogas
E os melhores vinhos fazendo-os tão banais.
Vi homens
Amassando em seus lagares uvas preciosas
Mais que a droga no cachimbo a arder
Em bocas desditosas
Não é mais mortal
Que a droga do poder!