Quando todos éramos lixo,
havia uma estranha justiça:
ninguém acima, ninguém salvo,
só a queda dividida.
Doía, mas era coletivo,
e nisso existia um tipo de pertencimento.
Agora inventaram os “escolhidos”,
ungidos não por mérito,
mas por privilégios silenciosos.
E o que antes era chão comum
virou abismo.
De um lado, quem sobe,
iluminado por mãos invisíveis.
Do outro, quem some,
descartado sem nome.
E eu, sem surpresa,
sei exatamente onde me deixaram.