#Poema: A Data que se Desdobra
Claudio Gia, Macau RN, 09/05/2026
O nove de maio não é apenas um dia.
É um prisma partido sobre a mesa da história:
de um lado, a paz consertada com aço e discurso —
a Declaração que pariu a Europa
das cinzas do ódio.
De outro, o rugido da vitória tardia
na Praça Vermelha, onde o bronze dos tanques
ainda lembra o nome de Stálin,
e Gorbachev, o arquiteto da própria ruína,
descosturou o império com mãos de reforma
— catalisador lírico do colapso.
No Japão, um punho erguido no ar
desenha o som dos números:
Go, cinco; Ku, nove —
Goku, o guerreiro de algodão doce,
ensina que a força também é infância.
E em Macau, RN, neste mesmo nove de maio
de 2026, um poeta olha o terminal distante —
o Tietê que um dia abriu suas comportas
para o fluxo dos ônibus,
como se o movimento fosse a única oração
contra o esquecimento.
São Máximo, São Isaías,
o profeta e o mártir:
dois nomes que a Igreja guarda na gaveta do tempo,
enquanto o mundo desaba e se refaz
em cada aniversário daquilo que ainda não aprendemos —
que a paz é um mapa sempre rasgado,
e a vitória, uma ferida que dança.
Criar uma capa, colocar nome do poema, colocar nome do autor, Claudio Gia, Macau RN, 09/05/2026