Arthur Vidigal

ROTINA DO CAFÉ

Entre os grãos moídos,
me deparo com a disposição.
Dispersos, porém me servem.
De certo, dependo totalmente
da rotina que se repete;
torna-se sagrada.

Não como esses versos pobres,
indigeríveis,
divididos entre o pó e a água quente.

Despeço-me de cada gole,
disperso-me em cada gota,
dirijo-me ao inconsciente,

adoçando-o com ansiedade
minha rotina abençoada.