Onde outrora rugia a loucura e a turbulência em caos, hoje repousa um certo veredito.
Não há mais o verso postiço, nem a métrica vazia de quem
tentou emoldurar o nada em molduras de ouro falso.
O enigma desbotou, enigma o qual sempre foi minha dedicação a esfinge, antes imponente,
revelou apenas barro, uma estátua (construção de responsabilidade minha apenas) e pedestal de minha importância insossa
exposta ao sol da própria lucidez.
É a ressaca do meu ego que se alimentava de mistério e névoa,
um duelo contra um espectro que, ao ser iluminado,
confessou a sua própria finitude em mudez absoluta.
Mas o silêncio que agora me habita não é ausência de som,
mas a exuberância da minha própria presença completa.
Eu, que decifrava labirintos de palavras ocas,
encontro agora o desconforto bendito da estabilidade.
A paz, esse horizonte plano e vasto,
pode parecer um deserto e tedioso para quem se viciou no abismo,
mas é, em verdade, o solo fértil onde o real cria raízes.
Onde havia o estrépito de uma montanha-russa emocional,
surge agora o murmúrio sagrado do cotidiano,
o brilho do céu que transmuta em ciclos precisos,
o afeto que não exige tradução,
e a solidez de um caminho que se constrói com as mãos livres.
O silêncio dele não é mistério, é a rendição do seu próprio verso e versão. É o muro intransponível que protege a minha morada,
o preço justo e libertador da minha própria alforria.
Não escuto mais o vazio, escuto a vida que pulsa fora da clausura.
Pois se o barulho findou, é porque a sanidade finalmente
reclamou o seu trono, e a finitude, mestre severa,
entregou-me o remédio que cura a alma,
a liberdade de não precisar mais ser lida por quem nunca soube te escrever.
É a finitude que faz de cada segundo o maior remédio..
Falta pouco então, para assim, seguir na menor importância