RGGouveia

Banquete caseiro

O aroma que vem da cozinha me entra pelas ventas.

Flutua em minha direção.

O centro da fome se excita, o estômago grita. As enzimas e as papilas da boca, em uníssono com o ácido clorídrico, se preparam.

O corpo se senta à mesa enquanto a última panela ainda esquenta.

É chegada a hora.

A relíquia é servida. Degustação lenta me alimenta. Sustenta os sentidos da vida.

A poltrona larga completa o ritmo da transformação.

Comida em digestão, digestão em preguiça.

A única depressão é a pós-prandial