Maurici Mauro Conceição Junior Mauro

Sejam idiotas

Sejam idiotas 

 

Idiota o suficiente pra perder a noção do tempo

olhando uma foto que já viu cem vezes,

como se cada vez fosse a primeira.

Idiota pra sorrir no meio da rua lembrando de uma frase boba,

pra escrever e apagar mensagens só porque quer que soe perfeito,

pra sentir falta cinco minutos depois do “tchau”.

Seja idiota de guardar detalhes que ninguém mais guarda:

o jeito que ela pronuncia certas palavras,

a mania de mexer no cabelo quando pensa,

o silêncio que não pesa quando vocês estão juntos.

Idiota pra acreditar que um abraço pode consertar o mundo,

que um “chegou bem?” carrega mais cuidado do que mil discursos,

que um “tô com saudade” nunca é exagero.

Seja idiota de se importar demais,

de demonstrar demais,

de amar sem pedir licença pra própria razão.

Idiota de atravessar o dia inteiro esperando a noite,

só porque é a hora em que vocês conversam com calma,

quando o mundo diminui e o sentimento cresce.

Seja idiota de lembrar da risada, do olhar, da voz,

como se fossem músicas que ficam tocando dentro de você o dia inteiro.

Idiota de fazer planos que talvez nunca aconteçam,

mas que mesmo assim aquecem o peito só de imaginar.

Porque os inteligentes calculam riscos,

os espertos evitam se apegar,

os fortes fingem não sentir.

 

Mas os idiotas…

 

Os idiotas mandam áudio longo,

fazem textão sem vergonha,

sentem saudade no meio da madrugada,

e amam com uma intensidade que não cabe em explicações.

No fim, são eles que vivem as histórias mais bonitas,

porque tiveram coragem de parecer bobos

em um mundo que tem medo de sentir.

 

Então, por favor…

 

Seja idiota.

 

Idiota o bastante

pra amar sem medida,

sem medo,

sem freio.

Idiota o bastante

pra transformar alguém em lar

sem nem perceber que já está morando no coração dela.