No silêncio que precede o fim do dia, Onde a sombra se alonga e o sol desiste, O Arqueiro Destino, em sua vigília, Sente o peso do que ainda resiste.
Sua aljava, outrora farta de presságios, Vazia agora, guarda um segredo só: Uma haste de freixo e de naufrágios.
É uma flecha de brilho fosco e frio, Não traz o ódio, nem traz o perdão. É o curso que encontra o leito do rio, É o que encerra a pulsação.
Destino não mira com pressa ou fúria, Ele ajusta o tendão com calma mão. Não há escudo, prece ou penúria Que desvie o rumo dessa direção.
O arco range como um velho carvalho, A corda vibra o som do \"nunca mais\". A flecha corta o tempo, rasga o orvalho, Ignorando os planos dos mortais.
E quando ela atinge o alvo marcado, O futuro tornando-se enfim passado,
E o silêncio batendo dentro do peito.
Pois toda vida é um arco retesado, e a última flecha é aquela que nos devolve à terra. Seria ela chamada de ponto final?