Eles vivem como duas agendas cheias,
linhas ocupadas de compromissos e responsabilidades,
dias que começam cedo demais
e terminam quando o corpo já pede silêncio.
Quase não cabem no mesmo horário,
como trens que passam na mesma estação
em plataformas diferentes,
cada um seguindo seu destino…
mas sempre com a sensação
de que em algum momento vão se alinhar.
E quando isso acontece,
não é encontro — é acontecimento.
O tempo, que antes corria,
parece sentar ao lado e observar,
enquanto eles transformam poucas horas
em algo que nem o calendário consegue medir.
São como luz acesa na casa depois de um dia longo,
como banho quente depois do cansaço,
como aquela música que toca baixo
e faz o mundo lá fora desaparecer.
Não se veem tanto quanto gostariam,
mas quando se veem…
é como se o amor compensasse o atraso,
como se cada segundo viesse carregado
de tudo aquilo que ficou guardado nos dias distantes.
E talvez seja isso que eles são:
não rotina…
mas refúgio.
Um no outro,
mesmo que o mundo lá fora
insista em correr depressa demais.