#Poema: A Língua que Abre o Portal
Claudio Gia, Macau, RN, 05/05/2026
Cinco de maio, data polifónica —
onde a voz lusa não se curva, se expansiona.
Angola, Brasil, Moçambique, Portugal:
um mesmo verbo, um coração austral.
A UNESCO reconhece — justo e raro —
que mais de trezentos milhões, neste idioma claro,
nos usam, nos tecem, nos fazem existir:
África, Timor, cada qual a fluir.
Mas hoje, 2026, o dia se faz outro:
“Portal cinco por cinco” — mito ou desencanto?
O número é fenda, o padrão se desfaz,
e a palavra, então, liberta mais que paz.
Higiene nas mãos, parteira em seu ofício,
Rondon nos fios — o Brasil no seu ofício —,
México em Puebla, pracinhas na memória:
cada data é um luzeiro em outra história.
E a nossa língua, nesse dia raro,
não cabe em glossário, não cabe em ornamento:
é portal aberto onde o mundo é claro
e o verbo, enfim, desaba em nascimento.