Xeque-Mate da Tentação
Dois desconhecidos — até agora — dois jogadores,
estrategistas no ousado tabuleiro das paixões.
Ela... escolheu as brancas, tersas como sua pele,
futuro alvo dos meus desejos, dos meus prazeres.
Para mim... restaram as peças pretas no terreno,
escuras como meus pensamentos mais obscenos.
Sem perceber... ela fez a primeira jogada, a abertura,
lançando um elogio que despertou minha fome obscura.
Meu movimento foi mais sutil — porém calculado —
oferecendo leituras de versos antes enclausurados.
Cada estrofe revelava fragmentos dos meus pecados,
ela... perdendo-se nas frases como um peão cercado.
Essas leituras expunham meus anelos obcecados,
a cada verso, peões e defesas caíam deslocados.
Em poucos instantes, o jogo deixou de ser teoria,
e o tabuleiro virou campo de guerra e fantasia.
Reis vulneráveis... rainhas fora de posição,
e dois corpos prestes ao xeque-mate da tentação.