Há uma casa
onde cinco vozes me chamam mãe,
cada uma à sua maneira,
cada uma ensinando-me
quem eu sou.
“Mãe, és bonita, és forte,”
diz o Felismino.
“Sabes cuidar bem de nós,
não falta nada,
és filha de Deus.”
E eu acredito —
porque vem dele.
“Mãe, eu te amo muito,
és super mãe,”
repete o Dylan,
como quem tem a certeza
das coisas simples
que sustentam o mundo.
E no meio do dia,
ou no meio de nada,
ecoas tu, Daniel:
“mãe… ai mãe…”
como um cântico doce,
uma dança sem passos certos,
mas cheia de amor.
Depois há poesia
que já nasce poesia:
“Mãe, teu abraço é o meu lar,
teu sorriso é luz a brilhar,
cada palavra tua vira magia,”
diz a Emessi.
E eu guardo cada sílaba
como quem guarda luz.
E quando o tempo cresce
e ganha consciência,
vem a Silvina,
com palavras que pesam e curam:
“Obrigada por nunca desistires de mim…
amo-te muito.”
E nesse instante
todo o passado faz sentido.
E depois…
os beijos quentes,
os abraços apertados
que dizem mais do que frases,
as fugidas à noite
para dormir ao meu lado,
como se o mundo lá fora
fosse grande demais.
E eu fico aqui,
no meio deste coro imperfeito e lindo,
feita de tudo o que vocês disseram de mim,
tentando ser, todos os dias,
aquilo que vocês já acreditam que eu sou.