Ó divinos altares de brancura,
Onde o desejo em prece se ajoelha,
Curvo-me ante a vertigem, a fartura,
Dessa carne que o mármore assemelha.
Ó globos de cetim, plena ventura,
Cujo bico em carmim se avermelha,
Sinto a febre, o rigor e a tontura
De quem o mel da vida ali dardeja.
Em vossa redondeza, o tato exulta,
Bebendo a pulsação que se faculta
No vale onde o suspiro se condensa.
Sede meu pão, meu vinho e meu pecado,
Nesse templo de gozo consagrado,
Onde a luxúria é a paz mais intensa.