Cale-te, mente, deixe-me pensar.
Oh Deus, por que minha vida virou isso? Que bagunça que não consigo arrumar.
A vida se perdeu, meu tesão em lutar; a mulher que me fez rir foi partir,
E, nesse momento, fez minha vida parar.
Eu errei demais, mas sei, mente maldita: eu ordeno, pare de lembrar os detalhes dela!
Eu imploro, eu quero apagar a musa da memória; eu quero ser Clementine e artificialmente parar de recordar.
Oh Deus, eu lhe peço: tire-me do martírio do amor passado e me devolva a aura de viver, não me deixe o presente desperdiçar.
Será que é carma por achar que da vida não iria apanhar?
Por achar que seria mais forte? Eu fui omisso, e a vida me faz pagar.
A vida quis me mostrar que falar é fácil; o difícil é o sentimento controlar.
Oh Deus, dê-me o poder de apagar da minha mente as lembranças que me fazem chorar.
Oh Deus, eu lhe peço: ajude-me a viver, ajude-me a me encontrar; eu perdi o rumo para andar.
Oh, eu imploro, leva embora meu livre-arbítrio e arbitre sobre mim o caminho a trilhar.
Pois não consigo mais confiar no meu julgar, mal confio que a vida eu sei ler.
O meu pior inimigo não posso derrotar, pois este eu somente vejo no espelho quando ouso olhar.
Eu lhe peço novamente, Deus: tire-me meu livre-arbítrio, pois não sei arbitrar.
O meu cérebro se perdeu: de criança a adulto, de apaixonado a sofrer.
Eu lhe peço: apague o que me faz travar, mostre-me uma nova vida a desfrutar.
As palavras são minha explosão, estou em combustão; anestesiado, com tanta energia e parado.
Não consigo mais florir, não consigo mais imaginar, somente me sentir amarrado.
Preso a um lugar que não existe, a uma verdade que profana a realidade.
No fim, eu blasfemei contra o futuro, mas fiz o certo: deixei o pássaro voar.
No caminho posso morrer, podem me matar, mas vê-la a brilhar talvez seja a recompensa por esse caminho trilhar.