Francisco Claudio Claudio Gia

#A Fenda no Giz

#A Fenda no Giz

Claudio Gia, Macau, RN, 02 de maio de 2026

Poema:

No duplo dois de maio, o calendário trinca:
num traço, as drogas e a luta por um direito precário;
noutro, a ascese de Antão, o deserto como relicário,
e a força de Atanásio — fé que não se extingue, chama antiga.

Mas entre datas e santos, um terceiro tempo abriga
a consciência que lateja, espectro autista, não um contrário.
Eis o mundo: giz riscando o visível e o imaginário,
onde a regra é o silêncio e a diferença, a fadiga.

Três celebrações no mesmo instante: a norma,
a heresia que virou dogma, a neurálgica reforma
de olhar quem pensa em vértices, não em curva.

Pois a verdade é um poliedro de arestas vivas.
Hoje, comemora-se a fratura que preserva
o que um só dia parte e jamais se conserva.