JOHNNY11

Divisões da casa

escrevo em varias divisões da casa
em cada uma delas vou deixando a minha marca
mas ás vezes sinto que não basta
um poeta deve absorver tudo o que capta
em casa, no carro, na rua, na praia
as palavras devem ganhar uma nova alma
e hoje eu sonho com as luzes da ribalta
e quando chego por fim meu coração sobressalta, quase que salta
e é por tua causa
que tenho explosões de raiva
não é que o ambiente esteja de cortar à faca
mas guardei estas divisões de uma forma nostálgica
levo-as comigo como um colete à prova de balas
para uma possível batalha
e se hoje meu corpo for para dentro de uma vala
eu deixo a morte leva-la
foi na casa de banho que apunhalei meu peito
foi no quarto dos meus pais que a custo cheguei desfeito
foi no meu quarto que me pus refeito
foi na sala e com o coração cheio
que gritei, é na cozinha o principio do meu receio
porque tudo o que me faz pensar também faz-me duvidar de mim como sujeito
por isso eu escrevo a meu jeito
no entanto não rejeito
outro meio
senão este onde me premeio
as vezes de dinheiro e outras de amor verdadeiro
se não o tenho acendo o isqueiro
e fumo aquele que é fruto do meu desejo
o som que me faz vibrar em cheio
é aquele que tem menos ação e mais paleio
tu lês eu leio
o que escrevo sem rodeio
tu reles eu releio
o que rescrevi porque eu também sou imperfeito
pois arranho os meus sons de vez em quando
e depois eles ficam bem feios
mas nada que não se resolva sem o meu dedo do meio
agora é hora do recreio
querem reclamar falem com terceiros
há um novo herdeiro na linha da fama
aquele que me ama e me chama de moço ordeiro
pois ele sabe que eu trabalho de semana a semana
e ainda assim não me chega o que tenho no bolso para o mês inteiro