Arthur Santos

166 - COM... TRADIÇÕES

COM... TRADIÇÕES

um songa-monga,

passeava na noite longa

quase às 11 da manhã,

a chamar pela mamã.

 

numa esquina, viu um surdo

a ouvir atentamente um mudo

que lhe falava dum cego

que mesmo ali há um bocado

afirmava ter visto um

homem sem pernas,

a correr atrás dum carro parado.

 

a coisa tinha-se dado ali perto,

a cerca de 1000 quilómetros,

em campo aberto.

 

ao ouvir esta história até me arrepio,

o dia estava muito frio,

mais ou menos 50 graus.

ate derretiam os calhaus,

a cada passada que eu dava.

 

 o sol  iluminava fortemente

toda a multidão que passeava

naquela noite sem gente,

 

encontrei um homem atrapalhado,

em pé, muito bem sentado.

estava à luz duma candeia apagada,

a ler um jornal sem letras,

vestindo uma camisa seca encharcada.

 

quando uma velha de 12 anos

me questionou impertinente:

- porque estás deitado

nesse banco de madeira

feito de pedra?

que maluqueira...

 

como não lhe respondi

disse a gritar muito calada:

- estou farta de gente mal educada

que nem sabe responder,

dou a minha missão por cumprida:

prefiro mil vezes morrer..

do que um dia perder a vida!