COM... TRADIÇÕES
um songa-monga,
passeava na noite longa
quase às 11 da manhã,
a chamar pela mamã.
numa esquina, viu um surdo
a ouvir atentamente um mudo
que lhe falava dum cego
que mesmo ali há um bocado
afirmava ter visto um
homem sem pernas,
a correr atrás dum carro parado.
a coisa tinha-se dado ali perto,
a cerca de 1000 quilómetros,
em campo aberto.
ao ouvir esta história até me arrepio,
o dia estava muito frio,
mais ou menos 50 graus.
ate derretiam os calhaus,
a cada passada que eu dava.
o sol iluminava fortemente
toda a multidão que passeava
naquela noite sem gente,
encontrei um homem atrapalhado,
em pé, muito bem sentado.
estava à luz duma candeia apagada,
a ler um jornal sem letras,
vestindo uma camisa seca encharcada.
quando uma velha de 12 anos
me questionou impertinente:
- porque estás deitado
nesse banco de madeira
feito de pedra?
que maluqueira...
como não lhe respondi
disse a gritar muito calada:
- estou farta de gente mal educada
que nem sabe responder,
dou a minha missão por cumprida:
prefiro mil vezes morrer..
do que um dia perder a vida!