Fábio Alves Leão

UM NÚMERO NA MULTIDÃO

Somos rostos que passam, sombras que somem,

No mar de vozes, mulher e homem.

Somos cifras, tabelas, gráficos frios,

Um eco perdido em dados vazios.

 

Na fila do mundo, ninguém nos vê,

Somos o número que a conta fez.

No cálculo cego da indiferença,

A alma é esquecida, só resta a sentença.

 

Quantos nasceram? Quantos morreram?

Quantos os sonhos que se perderam?

A vida, que pulsa em cor e calor,

Vira estatística sem rosto ou valor.

 

Onde está a história por trás do total?

O riso, a dor, o amor tão real?

No emaranhado de cifras cruas,

Quem vê as lutas que são só suas?

 

Mas, por trás do número, há um coração,

Que bate em segredo, buscando a razão.

Há um olhar, há uma memória,

Há um universo em cada história.

 

E se o mundo insiste em nos reduzir,

Apenas a dados que podem medir,

Saiba que somos mais que estatísticas frias:

Somos vidas, sonhos, promessas e vias.

 

Então ergamos a voz, que o mundo nos ouça,

Somos multidão, mas cada um é uma força.

E, embora contados, não nos deixemos contar,

Pois cada número tem luz para brilhar.