Dizem que o passado passou,
mas e se ele for uma fênix
e vier a ressurgir das cinzas — o que farás?
Assumirás este renascimento
ou ignorarás o fato,
tratando-o ainda como cinzas?
E se, de repente,
houvesse a possibilidade
de tornares a ver, as cores
do amor que, apesar de antigo —
não parece envelhecido,
mas, quem sabe, adormecido,
por não ter sido retribuído
no tempo devido?
Quem chega com os dois pés na porta… assusta.
Não que isso seja tua culpa,
mas o que o compasso —
ou até o marca-passo — nos diria,
quando um mede o tempo que se vive
e o outro tenta sustentar
o que ainda não se alinhou?
Seria o medo um sinal de prudência,
ou apenas resistência
diante daquilo que insiste em acontecer?
Seria mais sensato conter-se —
ou permitir-se arder,
ainda que sem garantias,
e descobrir, no risco,
o que poderia vir a ser?