Ninguém tem a bunda que quer
sentado na bunda que tem
Se queres forma bonita,
não fica aí, tão quieta,
no sofá de toda tarde.
Levanta e vai que arde,
pois corpo não se ajeita
sem luta que o respeita.
O glúteo que tu sonhas
não nasce em mil caronas,
nem vem por sorte ou vento.
Exige movimento,
agacha, sua e enfrenta
a dor que te aumenta.
Espelho não perdoa
quem vive à toa, à toa,
sonhando com firmeza.
Sem peso, sem proeza,
a curva não se forma
sentada em velha norma.
Acorda desse sono,
descola desse trono
de mola e de preguiça.
A meta é que se atiça
no treino que castiga
e a meta se aproxima.
Ninguém ganha o que almeja
se o corpo só deseja
ficar no mesmo canto.
É passo, é suor, é pranto
que esculpe, verso a verso,
a bunda do universo.