Tempo nublado, sob plúmbeo véu cerrado,
Em alto enlace, um ais calado;
Por via estreita, de fado incerto,
Cereza em rubor tinge o afeto.
Só te contemplo a esvair-te ao longe,
Sem ânimo algum que aqui me ponha;
Não me é dado seguir-te os passos,
Mas, de remotos, guardo-te os traços.
Foste, outrora, meu doce alvorecer,
Candura viva do meu viver;
Fizeste-me rir, sonhar e crer
Que nunca haverias de me entristecer.
Mas o Tempo, austero em seu reger,
Desfez os votos que ousei tecer.