No cair das folhas,
meu olhar encontra a morte —
não como fim,
mas como um suspiro antigo da terra.
As árvores, despidas,
confessam segredos ao vento frio,
e cada galho nu
é um gesto de despedida e renascimento.
Caminho entre sombras douradas,
onde a vida se recolhe em silêncio,
como um coração cansado
que aprende a bater mais devagar.
Há beleza no que parte,
há vida no que parece cessar,
pois o outono não é ausência —
é memória que insiste em florescer.
E assim, entre a morte e o instante,
meu olhar repousa sereno:
somos folhas também,
caindo… para voltar.