Que de nada vale entregarmo-nos sozinhos, como almas errantes a ofertar tudo quanto possuem a um vazio que não responde. Nos contos de fantasia, fazem-nos crer que, se for destino, até os montes se curvarão e cairão diante de tal querer; que o amor, em sua grandeza, desafia o tempo, e que um só minuto apartado torna-se eternidade.
Mas a vida — ah, a vida — não se curva tão facilmente aos delírios do coração. Ensina, com mão firme, que o amor verdadeiro não se sustenta em um só peito, nem floresce onde não há reciprocidade. Pois não basta que um arda como chama viva, se o outro é bruma que se dissipa ao primeiro sopro.
E assim, entre ilusões desfeitas e verdades tardias, compreendemos: não é o amor que falta grandeza, mas os corações que, por vezes, não sabem habitá-lo.