Dentro de um barco, esperando pela minha vez
Já é hora da partida, já é hora da minha deixa
Com as mãos cansadas, vou parar de cavar a minha cova
Era só uma criança, só um inocente, tragado para dentro do mundo
Flechas dentro do peito, difícil retirar o furo
Com a mente confusa e cansada, vamos tirar todos os pesos
Dissecando todos os problemas, todos eles têm a mesma raiz
Não poderia lhe amar, se eu nunca conheci o que era o amor
Idealização, banalizada, violentada, arrebentada
E eu fiquei em silêncio, porque responder iria doer mais ainda
Eu sei, não precisa apontar, todas as minhas falhas já foram escancaradas
Já se sentiu afundar? Sem respirar, esperando a água levar
Mas, eu achei um jeito, sem ser um bom jeito
Não feche a porta, quebre as amarras, pouco a pouco cedendo, bem devagar
Ninguém apareceu, dentro do breu das escolhas, com a vida regrada a erros
Sem ser vitimista, eu não consigo mais sentir a empatia, nem simpatia, talvez mais apatia
Ao tempo, entrego o único fio de esperança
Coloque a vida dentro de um aquário, não seja o peixe, nem sagitário
O fruto das lágrimas, retire a agonia, deixe a culpa, recolha a sua misericórdia...