Enquanto o ar ainda invade meu peito cansado, há um fio invisível me puxando de volta, um sussurro teimoso dizendo: fica.
Eu já caminhei com o gosto amargo da queda, com as mãos sujas dos próprios erros, com a alma pesada como quem carrega o mundo e ainda assim...continua.
Porque respirar não é só viver, é insistir.
É levantar mesmo quando a dignidade sangra e o espelho acusa cada falha.
Dum spiro…
no silêncio entre um suspiro e outro,
eu travo guerras que ninguém vê.
Spero…
não como quem tem certeza,
mas como quem se recusa a morrer por dentro.
E se a vida me rasga, eu costuro com fé bruta.
Se a noite me engole, eu acendo um resto de luz no peito.
Porque enquanto esse ar entrar,
mesmo falho, mesmo fraco, mesmo torto, eu ainda não terminei.
Enquanto respiro…
eu espero.
Por Freddie Seixas