Chapéu e cajado.
Na bolsa, o peso branco do linho e a sede.
O corpo gira e risca o chão:
o pó levanta a fronteira.
Lanço o lençol,
teto provisório contra o azul aberto.
Meus pés batem o marulho do cimento,
suor que vira sal.
O fôlego é remo:
onda sobre onda, não quebra.
A luz rasga o que improvisei.
Não resta abrigo, nem vigia,
apenas o rastro do círculo.
Sigo —
a carne ainda queima.