Henrique de Sousa

Sorrindo enquanto arde

O meu coração é como sandálias de bailarina, moldável,

Tenho que me destruir, para nos seus olhos parecer agradável,

Aperto onde sobra, cedo onde insiste,

Talvez sem esse esforço o amor não existe.

 

Então eu danço com leveza, ensaiando com cuidado cada parte,

A plateia se importa com o que vê, não com o quanto meu peito arde,

A minha mente é um disco arranhado, que repete seu nome infinitamente,

Toco na queimadura do meu braço, tentando esquecer o que meu coração sente.