As almas vão deitando
Em camas macias;
E vão deixando os lençóis
Entrarem por entre os ossos;
Deixando o tecido do estofado
Substituir a carne.
E, de grão em grão,
As almas enclinam-se
Ao conforto das casas
E comutam ar
Por poeira.
Mas, escaparei.
Escaparei dessa besta
Que definha os nervos
Enquanto acaricia minha cabeça
E massageia meus pés.
E, então, fugirei.
Fugirei os ermos que gelam a espinha;
Às matas densas que maltratam o corpo;
Às secas terras que envermelham a pele;
Ou às belas damas que, em estocada, acertam o peito.
Vou agarrar minha alma.
Puxá-la-ei desse tenro limbo,
E a lançarei ao Sol,
Mesmo que a queime por inteiro.