O sol escaldante fazia evaporar o chão do vale. E, no coração do garoto adolescente, evaporavam-se os resquícios da infância. Naquela viagem, ele reencontrara a bela garota que, por vezes, sobre seus olhos encantados, transitara na rua de sua antiga casa no interior. O pai da mocinha tinha fama de homem valente. Mas a juventude desconhece o medo. E foi lá, no alto da chapada, atrás da taberna do pai dela à beira da estrada, que os olhares se reencontraram e as bocas se desejaram. Aquele encontro de lábios joviais estabeleceu um divisor de águas para o mancebo. O primeiro beijo abriu, naquele instante, as portas para as paixões da mocidade. No dia seguinte ele voltava para a cidade grande. E na estrada, coincidentemente enquanto ele pensava na mocinha que beijara, o condutor colocou no rádio do carro uma antiga moda, na qual o violeiro se despedia da amada, levando-a para sempre na memória do amor eternizada.