Não estou mais correndo dentro da floresta
Nem correndo da bala, nem temendo a ventania
Seguro o machado, sinto o peso da minha respiração
Você não pode quebrar algo, que já está disposto a quebrar
Memória ambulante, carregando o livro no bolso
Na vida da caça qualquer movimento pode ser uma ameaça
E a vítima, de forma frágil, fadada ao esquecimento
Nomes perdidos, realidade cruel, continue afiando o machado
Conflitando com a razão, você também se tornou um animal
Entregue aos seus interesses, onde foi parar suas convicções?
Eu vi o sangue derramado, eu vi a tristeza escorrendo pela porta
O quão assustador pode ser o mundo, como um bala no meio do coração
Voltando ao início, não se acostume com a podridão
O espelho está quebrando, esperando o sol nascer, eu nunca confiei em nenhum deles
Sem arrependimentos, não voltarei atrás
Um sentimento primal, quase primordial, tentando não ser consumido
Quantos corredores você entrou? Onde se perdeu nas etapas?
Quando os pássaros voarem, você estará só?
A culpa virou o combustível, começou a consumir a vida
Flores manchadas, talvez a velhice lhe ensine alguma coisa...