Antonio Luiz

Não há monstro que não caiba debaixo da cama

num escuro de não se espiar

havia meia órfã de pés de criança

e uma família de medonhatos

 

com dedos magros de poeira

alisavam os cabelos do meu medo

e se empanturravam de rangidos

 

os monstros sempre aprenderam

a diminuir seus ossos mal existidos

pra caber no vão de quase-coisas

 

e hoje me assusta acordar por lá

eu me desacontecendo em miudezas

virando um isso de amedrontar

 

 

– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 24/04/26 –