Feiticeira

PENUMBRA

Trajado de penumbra
passeas em meu corpo feito água
sobes-me, como sobe-se uma pirâmide
desnudas-me os pensamentos
penetras-me nos anexos da tua pele
Eu desabrocho muda e sincera
exorcizo-te no lugar mais quente do meu cigarro,
mais convencido e despido apareces
Teus espinhos equilibram as minhas emoções
se o cair  me vier sorrateiro e forte
Eu seguro-me na veias sanguíneas dos teus braços
sombra frondosa que consola meus olhos
em dias de eterna solidão
Isso não é tudo, quanto te observo
absorvo-te na partes mais nua da noite
és a felino que geme pelas madrugadas
em cima do meu telhado de lençóis e ternura,
a cura da doença que não tenho
é ter-te como minha doença para não ter
nenhum razão de não comer-te
quando o inverno se cansar de invadir nossos corpos.

 

FEITICEIRA