Ema Machado

AusĂȘncia um vazio

Ela deveria ser apenas abrigo 

Mas não, é narradora de histórias 

Carregando em si, memórias e sentidos

Em suas paredes, quadros e móveis marcam o tempo 

Imagens que olham para a mesa, para a porta de entrada, entregam um vazio…

Há no lugar, uma falta…

 

Na mesa polida, uma cadeira conversa comigo 

Conta, dos cafezinhos de cada dia

Dos almoços de domingo

Das crianças que cresceram e partiram..

E por vezes voltam, acompanhados de seus filhos 

 

Pude ouvir calorosas discussões 

Entre risos e assuntos decisivos

Tudo que alimentava aos pais e filhos…

 

Ela abriga histórias novas e antigas

O vazio recente conversa com os sentidos 

Almas doloridas, dores do parto

Aquelas que geraram o triste recém-nascido

Ninguém o quer, não é casto… 

 

Caminho, as paredes não calam

Continuo a percorrer o espaço dolorido 

Há tanta coisa que grita

Outras, são apenas sussurros esquecidos 

 

Tudo aqui conta, do amor construído 

Porém, não contavam com o vazio 

O vazio cresce, torna-se saudade, dança nas paredes 

A melodia do tempo, transborda senti

mentos

Nunca serão esquecidos…