Gotas e gotas, chuvas e chuvas
Sem guarda-chuva, estou deixando a pele molhar
Aparência que envelhece, como vinho sem gosto
Acordamos pela manhã, mas apenas saímos a noite
Sobrevivendo com pouco, sem almejar o muito
Lembro de quando pegou minha mão, da criança que eu era
Um adulto que virou, querendo tomar o mundo nas mãos
Cairá pela ganância, pelos holofotes, pela hipocrisia
Não me importo de molhar o rosto
De sentir o frio na espinha
Eu rezo para Deus, para que eu não morra quando sair de casa
Um ano que mudou, eu encontrei a minha versão em menos de seis de meses
O rigor da corda, prenda as mãos e mostre o relógio
Vítima do tempo, eu espero não cair no esquecimento
Sem sangue azul, meu sangue é comum
Espesso, escuro, vermelho e o suficiente para regar minha vida inteira
Trabalho, mas não esqueço do coração
Escute o barulho do mundo, tape os ouvidos para as vozes
Congelado, gelado, o gosto da água pela manhã é intragável...