Luciel Saintl

LAJEIRO DO AMOR

No Rio Canindé, em um lajeiro

Nossos nomes como nossas mãos 

Que coroados por um coração 

Dava-me sorriso quase inteiro.

 

Mas inteiro eu já não podia

Sentia-me metade dele sem ti

Do desenho que tanto nos via 

E a minha boca só se movia

pra fazer a tua sorrir.

 

A correnteza arranhou a arte

E o tempo arranhou também 

Sua voz desenhou tão bem

Um não com som de desastre.

 

Um não com cheiro de lodo

Molhado igual o meu olhar

Desenho é coisa de bobo

Meu nome, onde é que está?

 

Mãos humanas fizeram parte 

E eu sei, porque não sou louco

No lugar do meu havia outro

O seu, igual, até mais novo.