As luzes amarelas iluminam os trilhos,
ladrilhos coloridos abraçam o chão.
Do bonde, vê-se a neblina passeando pelos solitários prédios.
Pouco a pouco, as luzes se apagam e as pessoas se escondem. Recolhidas e tímidas, em seus castelos de concreto.
Gatos procuram refúgio, cães ladram o desconhecido.
É certo que nesta cidade, a noite chega para todos, mas nem todos são para a noite.
Os pássaros noturnos preenchem o silêncio, com seu espetáculo sem plateia.
Os casais dormem e os solteiros sonham.
E eu fico.
Por entre dormir ou observar. Dormir ou contemplar.
Dormir ou lembrar.
Yasmin Azevedo.