Ao meu primeiro grande amor,
confesso: ainda sinto tua falta.
Há lembranças que o tempo guarda
como cartas antigas nunca rasgadas.
Lembro do dia em que disseste, rindo,
que nosso casamento seria nas montanhas.
Achei teu sonho precipitado,
assustador demais para caber em mim.
Mas perguntei: por que tão longe?
E tu, com essa leveza tua,
respondeste que na praia havia areia demais,
e na igreja, crenças demais.
Eu ri,
como quem não sabia
que certas frases atravessam décadas.
Depois, o tempo fez seu ofício.
Éramos jovens,
imaturos demais para entender
que amar também exige tempo.
Seguimos caminhos opostos,
como rios que nascem juntos
e se perdem no mapa.
Dez anos depois,
veio um aperto no peito,
uma saudade sem nome.
Procurei teu rosto no mundo
e encontrei uma notícia
que me paralisou:
estavas noivo.
Então lembrei das montanhas.
Das promessas lançadas ao vento.
Das voltas silenciosas da vida.
Semanas depois,
tu te casaste no alto de uma montanha.
Mas não foi comigo.
E eu,
a menina que agora é mulher,
entendi tarde demais
que algumas histórias acabam
mesmo quando permanecem vivas dentro da gente.
Eu te superei
ou ao menos aprendi a caminhar sem ti.
Mas ainda penso em você
nos dias em que o coração pesa
e a saudade faz eco.