Edgard Claro

Fila de espera

Eu estive tão perto do distante
que quase me senti o próximo a ser chamado.

Por isso, cheguei tão perto do longe
que não fui ver onde terminava.

E então o distante se fez perto,
ali, exatamente na minha vez.

Mas, quando meu nome surgiu,
eu não o reconheci.
Eu o lia,
mas ao ouvi-lo, não soava igual.
Mesmo sabendo que era meu,
eu esperei.

E foi assim que, no cruzamento do meu ser,
diante da passagem que me chamava,
percebi que nada havia caminhado e, por isso, o fim se tornava mais distante,
mais longe daquele distante
de onde estive tão perto.

Agora, longe daquele lugar,
nem o nome que ainda assim era meu podia mais ser ouvido.

E o que mais pesava
não era a distância,
mas o silêncio
que eu sustentei por todo o caminho.

Por que eu não falei nada?