Às vezes, eu sonhava
Em ter terras férteis;
Em ter um solo úmido
E mais vivo.
Mas, não tenho.
E, mesmo não tendo tudo isso,
Uma coisa eu tenho:
Fome.
E mesmo que vilã aos olhos jovens
Ela é o motor,
O motor que rega meus braços com sangue
E que estufa meu peito
Para que eu possa cavar
Cavar, cavar e cavar
Rasgar essa terra morta
E buscar seu âmago
Vivo, macio, rico
E depois de tanto suor
Jogue-me em qualquer terra;
Qualquer uma,
Que saberei tirar
Cada gota de vida
Desse mar de morte.