Ao ponto mais confortável, a mente atrofio;
E as ambições omitidas são reduzidas à dor,
Até quase torná-las num fictício desafio,
Que da vida retira o menor resquício de cor.
Queimo a garganta para poder explicar,
Nesse pudor à exposição dos temores,
Que se a relutância vier a te decepcionar,
Medrarei num buquê de incógnitas flores.
No ápice da libertadora insignificância,
Sinto você como meu fim mais vibrante,
Em ascensão às nuvens de sua fragrância,
Digna dos astros que nos são tão distantes.
Note: os pilares do tempo estão a ruir
A surrealidade da ordinária jornada,
Ao ver o que entre nós começa a fluir,
Por uma vulnerabilidade deliberada.
Se esse amor crescer rápido demais,
Por gentileza, não nos desacelere;
Pois, do jeito que meu corpo prefere,
O desejo, só você ainda me traz.
Ao enfraquecer meu ingênuo semblante,
Começo a pressentir o precioso instante
No qual minha relutância se acaba,
Dilacerada em ti, minha eterna amada.